Aderbal Freire-Filho

Aderbal Freire-Filho nasceu em Fortaleza, em 1941. Participou de grupos de teatro amadores desde a adolescência, foi locutor da rádio Dragão do Mar e, em sua primeira tentativa de morar no Rio de Janeiro (1960-1962), trabalhou como técnico em prospecção de petróleo e vendedor de móveis de aço, até voltar para o Ceará e se formar em Direito. Em 1970, mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, participando como ator e diretor de uma montagem de Diário de um Louco, de Nikolai Gogol, encenada dentro de um ônibus em movimento.

Aderbal estreou na direção em 1972 com Flicts – Era Uma Vez Uma Cor, de Ziraldo. No mesmo ano, dirigiu O cordão umbilical, peça de estreia de Mario Prata e, em 1973, dirigiu Marília Pera no monólogo Apareceu a Margarida, de Roberto Athayde, seu primeiro grande sucesso. Ao longo da carreira atuou como diretor, ator e dramaturgo. Criou o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo (1989-2003), foi membro do Conselho Diretor do Festival Ibero-americano de Teatro, de Cádiz na Espanha, e coordenou a comissão que criou o Curso de Direção Teatral da UFRJ. Escreveu as peças Lampião, rei diabo do Brasil (1991), No verão de 1996 (1996), Xambudo (1998), Isabel (2000) e Depois do filme (2011). Entre suas traduções e adaptações publicadas ou encenadas estão Turandot ou o congresso dos intelectuais (1993), de Brecht; Luzes de Boemia (2000), de Valle-Inclán; Casa de boneca (2001), de Ibsen; Hamlet (2008) e Macbeth (2010), de Shakespeare; e Na selva da cidade (2011), também de Brecht. Nos anos de 1990, iniciou o projeto do que veio a ser chamado de romance-em-cena com o espetáculo A mulher carioca aos 22 anos, a partir do romance de João de Minas. Em seguida vieram O Que Diz Molero (2003), a partir do romance de Dinis Monteiro, e O púcaro Búlgaro (2006), a partir do romance dede Campos de Carvalho.

Em 2005, juntou-se às atrizes Marieta Severo e Andrea Beltrão, que inauguravam o Teatro Poeira, e dirigiu a peça de estreia do teatro, Sonata de Outono, a partir do filme de Ingmar Bergman. Ao longo dos anos dirigiu inúmeros trabalhos no Poeira, como As Centenárias, de Newton Moreno (2009), e a tragédia libanesa Incêndios (2013), de Wajdi Mouawad. Aderbal participou ativamente da curadoria e dos projetos reflexivos e formativos desenvolvidos no Poeira. Durante décadas, principalmente entre os anos de 1980 e 1990, Aderbal também esteve à frente de vários espetáculos do grupo uruguaio El Galpón, sediado em Montevidéu.Dentre os prêmios que recebeu estão o Prêmio Molière, em 1981; o Golfinho de Ouro, em 1984; o Prêmio Shell na categoria Especial, em 1992; o Prêmio Shell na categoria Direção, em 2002, 2003 e 2013; e o Prêmio APTR, em 2006.

Aderbal Freire-Filho consolidou-se como uma figura incontornável na historiografia da direção teatral brasileira, ocupando um lugar de destaque ao lado de nomes como Abdias Nascimento, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Amir Haddad e Maria Clara Machado. Sua trajetória é marcada por uma rara capacidade de aliar o rigor intelectual à experimentação cênica. Sua atuação reafirmou o teatro como um espaço vivo de pensamento crítico e memória coletiva, tornando sua obra um pilar essencial para a compreensão da cena contemporânea no Brasil.

Aderbal faleceu em 2023, no Rio de Janeiro.

Livros

aderbal-freire-filho

Nome:

Email:

Estado:

Cidade:

Data de nascimento:

/ /

Qual seu gênero?

Áreas de Interesse:

Quais:

Editora Cobogó usa cookies para personalizar a comunicação e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.